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OVERTRAINNING

 

Uma pesquisa com 413 freqüentadores de 17 academias de São Paulo, realizada pela biomédica Carolina Ackel, da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), identificou que a média de tempo passado nas academias é de 11 horas por semana. O Colégio Americano de Medicina Esportiva, autoridade na definição de parâmetros para a prática de atividades físicas, estabelece o máximo de cinco horas de exercícios por semana.

Nesse contexto, é bom lembrar que, quando se trata da prática da atividade física, nem tudo o que vem a mais é lucro. O excesso de treinamento físico - ou overtraining - pode trazer sérias conseqüências para a vida do praticante. Se não houver uma coerência e uma consciência de como devem ser os treinos dos atletas, o retorno final poderá diminuir consideravelmente.

Este mal vai se consolidando aos poucos e pode levar a pessoa ao estado depressivo,causar insônia e fadiga, entre muitas outras conseqüências que, se não tratadas, comprometerão o rendimento físico do atleta. De acordo com a especialista em Educação Física, Maria Marin, os sintomas da síndrome de overtraining variam conforme o tipo de esporte praticado. Eles são observados no cotidiano e também diagnosticados através de exames clínicos.

Diminuição da performance, fadiga geral, sensação de membros pesados, distúrbios de humor (depressão, irritabilidade, ansiedade e nervosismo), mudança no apetite, maior susceptibilidade a infecções, dores e lesões musculares freqüentes, diarréias e dores de cabeça constantes, além de alterações menstruais na mulher, são algumas das características dessa doença. “Quando exercícios inapropriados são repetidos em grande quantidade, por um longo período de tempo, a possibilidade de se desenvolver a síndrome aparece”, explica.

Maria Marin alerta que o treinamento ideal é aquele que necessita de uma recuperação, ou seja, um momento de descanso. “A intensidade e o volume de treinamento devem respeitar uma periodização que tem por finalidade a melhoria da performance para um determinado período, seja uma competição importante ou apenas um objetivo que o indivíduo deseja alcançar em uma fase do ano, por exemplo”, observa. O tratamento ainda varia de pessoa para pessoa. No entanto, uma questão é certa. “O atleta ficará ‘de molho’ por um bom tempo até a recuperação total, enfrentando uma maratona de tratamento das lesões”, explica a especialista.

Prevenção é o melhor remédio

O doutor Paulo Roberto de Oliveira, professor da Universidade de Campinas (Unicamp), ressalta que é melhor buscar meios para a prevenção ao overtraining que ter que ficar meses parados enfrentando a maratona de tratamento das lesões. De acordo com o especialista, pode-se falar em três tipos de lesões por excesso de atividade física: o overtraining neuro-muscular - causado, por exemplo, pela prática do voleibol e corrida de 100 metros -; o vegetativo, com as maratonas e outros esportes de longa duração; e a combinação entre os dois tipos anteriores, como o handebol.

A prática de exercícios requer orientação de algum profissional. “Os conteúdos a serem dados e o organismo da pessoa devem ser avaliados”, afirma. “Fazendo o estudo do atleta, as lesões serão minimizadas”, complementa. O profissional deve buscar uma racionalização da distribuição dos exercícios físicos, segundo Oliveira, sendo que é necessário que técnicos, atletas e professores de educação física se preocupem não apenas em melhorar a performance com a bateria de exercícios. Eles precisam ter em mente que uma periodização estudada e bem elaborada é o mais eficiente.

Cada pessoa responde diferentemente a um determinado estímulo. “Não quer dizer que a periodização de treinamento formulada para um atleta será adaptada para outro. A individualidade biológica deve ser respeitada na prescrição dos exercícios, ajustando-se para cada atleta, assim como também o tempo de recuperação”, explica. Ele recomenda, ao elaborar um programa de treinamento, considerar as seguintes variáveis: escolha dos exercícios e sua ordem, intensidade, número de séries, número de repetições e o tempo de intervalo entre as séries e os exercícios. O estresse do dia-a-dia também deve ser levado em conta. “Um treino intenso aliado a fatores estressantes do cotidiano pode levar a processos de fadiga crônica”, observa.

 

E-mail: vado@moonlightbikers.com.br

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